quarta-feira, 31 de março de 2010

Dois postais






:-)

Laura

terça-feira, 30 de março de 2010

Simplesmente um luxo

Não discuto a necessidade de termos colunas sociais em nossa vidas (apenas não saberia dizer o exato porquê. Talvez a melhor definição seja a de uma amiga --é a síndrome do "o que não acontece lá em casa"), só me incomoda a total jequice dos nossos colunistas. Sabe aquela coisa Black and White Ball do Truman Capote? Aquele jeito Tatler blasé de achar que só existem Honorables no mundo? Que nada, em terra brasilis caçamos socialite com tacape. Na coluna da Sonia Racy de hoje publicaram a foto de uma tal de Isabella de Windsor. Qualquer pessoa seria capaz de fazer a óbvia associação, mas a coluna resolveu legendar a foto e explicar que se tratava da "trigésima terceira na linha de sucessão ao trono britânico". Provavelmente o trigésimo segundo herdeiro planta batatas em Gloucestershire. E o trigésimo primeiro atrasou a parcela da casa hipotecada. Avacalhou geral com o imaginário plebeu. Prefiro a cafonice explícita do Amauri Jr. e todo o luxo que ele emana.

:-)

Laura

segunda-feira, 29 de março de 2010

Respeitável Público


Estou pensando em fugir com o circo. Sou bem flexível, fiz anos de ginástica olímpica, acho que não teria problema em conseguir um bico de assistente de picadeiro ou contorcionista em alguma Caravana Rolidei de passagem por São Paulo. Superpiruetas, ultrapiruetas, bravo, bravo. Assim resolveria de vez a minha irremediável inaptidão para a vida cotidiana. Como disse a Clarice Lispector, “O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções”.

:-)

Laura

domingo, 28 de março de 2010

Educação


Fazia tempo que não assistia a um filme com uma direção de arte tão maravilhosa, perfeita, como em Educação (An Education, 2009). E também é sempre bom ver esse jeito autocrítico inglês de fazer cinema, em que a mocinha é quase bonita – é o anti-all American smile.

Para ouvir, Sur Les Quais Du Vieux Paris.

:-)

Laura

To sleep, perchance to dream


Como é que chama a sensação deixada por um sonho de que você não consegue lembrar? Acordei assim. Saudades da Barbara Wallraff na Atlantic.

:-)

Laura

sábado, 27 de março de 2010

Mais curtas at random


Eu me divirto lendo a coluna do Sarney às sextas-feiras na Folha. Fico sempre com a impressão que quando termina de escrevê-la, ele deixa a caneta de lado, passa a mão sobre o papel e sorri um sorriso bigodudo de auto-aprovação.

Sério, fogos de artifício e música da vitória do Senna em frente ao julgamento dos Nardoni? Vamos combinar que também entra no hall das psicoses?

Vi hoje que o “livro” da Ana Maria Braga está em sexto lugar na lista dos mais vendidos. Estou seriamente considerando adotar um look cor de saibro e comprar um papagaio.

Muito legal este artigo do Thomas L. Friedman no New York Times (e publicado hoje no Estadão, pg. A26): “The most important economic competition is actually between you and your own imagination. Because what your kids imagine, they can now act on farther, faster, cheaper than ever before — as individuals. Today, just about everything is becoming a commodity, except imagination, except the ability to spark new ideas”.

Gosto cada dia mais de andar de bicicleta. Acho um grande exercício de reflexão. Queria que as pessoas fossem mais auto-analisadas e assim.

Esta música da Nina Simone é muito Gilberto Freyre.

Outro desenho feito pela Louise.

:-)

Laura

sexta-feira, 26 de março de 2010

Jabá em família




Anotem este nome: Juliana Lawson, a.k.a. minha irmã caçula, prestes a dominar o mundo. As fotos são da coleção de bolsas feita por ela para a Urban Outfitters (Juliana Lawson for Harris Tweed) que serão vendidas nas lojas de Londres e de alguns países da Europa. Logo mais fica pronta outra coleção exclusiva para a Calypso, que será vendida na França, Estados Unidos e Caribe. Gostou? Clique aqui para saber mais sobre o trabalho que ela faz para o Harris Tweed.




A nanica da foto é a Julie, antes da fama.


:-)


Laura

Viva la Vida, Lula

+ =


Sensacional. Por um terceiro mandato.

:-)

Laura

quinta-feira, 25 de março de 2010

Andy Warhol


Gostei bastante da exposição do Andy Warhol na Estação Pinacoteca, especialmente de Flash November 22, 1963 (14 screenprints retratando os quatro dias entre a morte do JFK e seu funeral) e do filme Blow Job, de 1964. Da série Thirteen Most Wanted, só faz parte da exposição o no. 12, Frank B. (que me lembrou o Perry Smith). O Warhol falava sempre do “poder emocional” da mídia sobre as pessoas – só imagino quão fascinado ele não ficaria se tivesse que assistir ao nosso BBB.

:-)

Laura

terça-feira, 23 de março de 2010

Chagall no MASP



Hoje fui finalmente ver a exposição do Chagall no MASP. Quem ainda não foi, vale muito uma visita, especialmente pelas gravuras (até dia 28 de março). A gravura do post é "Le Violoniste Amoreux", de 1967, sempre a minha preferida, por razões personalíssimas.

:-)

Laura

segunda-feira, 22 de março de 2010

Two times Nina



“(...) Don’t push it. (...) Just relax. (...) Don’t put nothing in it and I should feel it”.

:-)

Laura

sexta-feira, 19 de março de 2010

Duas igrejas em São Paulo





Se você perguntar a um paulistano qual a igreja mais bonita de São Paulo, ele provavelmente irá dizer o Mosteiro São Bento. Eu gosto do Mosteiro, principalmente durante a missa das 10hs aos domingos, com órgão e canto gregoriano, mas acho a igreja essencialmente masculina, obviamente pelos monges, como também na arquitetura, pintura, afrescos e inclusive o público. As minhas igrejas preferidas em São Paulo são a Basílica Nossa Senhora do Carmo, na Bela Vista (e para os boêmios da minha idade, off-BASE), e a Capela da PUC (Paróquia Coração Imaculado de Maria), a primeira gigante, a outra minúscula. Todas as vezes que vou a Basílica do Carmo --estive lá esta semana-- fico encantada com as pinturas, os vitrais, o verde-azulado das paredes e os ladrilinhos hexagonais do chão. Já à Capela da PUC faz alguns anos que não vou, mas na época da faculdade entrava sempre no final do dia para ver a construção em estilo colonial com cara de Rio de Janeiro (e dar uma rezadinha antes das provas de Direito Civil).

Vale uma visita.

:-)

Laura

quinta-feira, 18 de março de 2010

Três Cartoons



(The New Yorker, March 15, 2010)

Faz tempo que não vejo uma New Yorker com cartoons tão bons.

:-)

Laura


Dubliners


Ontem rolou uma comoção no Twitter por causa do St. Patrick’s Day e eu lembrei desta foto, uma das minhas preferidas, tirada em Dublin no fim do inverno a uns anos atrás.

People adapt and carry on.

:-)

Laura

segunda-feira, 15 de março de 2010

Serra, please find your inner-clown



O Serra só vai se eleger quando der um jeito em sua chatice contagiante. Hoje quase morri de tédio lendo seu artigo no Estadão sobre os “25 anos da Nova República”. Faço aqui a minha parte postando um fitoterápico que normalmente funciona aqui em casa --ajudem vocês também.

Ah, e Governador, não se preocupe com a Dilma, mulher chata não tem solução.

:-)

Laura

domingo, 14 de março de 2010

Curtas at random


Sentimentos mistos sobre o novo projeto gráfico do Estadão. Nem tanto pelo layout, mas sim pela escolha das cores dos títulos. Rosa e roxo para o Caderno 2? Nem a Barbie usaria.

I don’t like my boat to be rocked. Vou ter que me acostumar a ler a coluna da Dora Kramer na horizontal.

Esse Marcos Vilaça da ABL continua queimando o filme (comigo) a passos largos. Tudo bem que a ABL é uma entidade particular que não precisa se justificar, mas adotar postura de nobreza inglesa “Não sei quanto rendem os aluguéis. Não é muito. Só dá para o feijão com arroz” é no mínimo ridículo, considerando que a estimativa com aluguéis é de R$3,5 milhões por mês. Mas o melhor comentário no Estadão de hoje foi “A ABL hoje é a principal grife cultural do País. Não há nada que tenha a sua importância”. Não sabia que a ABL tinha virado uma instituição de nicho focada no mercado de alto luxo.

E tem um artigo interessante na Vanity Fair de março sobre “the internet’s next big thing” (“Ringside at the web fight”). “The internet, with a flat hierarchy, cheap distribution, and virtually no production barriers, lets people express themselves more naturally. We’ve collaborative animals, it turns out, and joyful amateurs, interested more in entertaining and informing ourselves than in being entertained and informed by professionals” é uma teoria simpática.

Gostei muito do filme “Segredo dos seus olhos”. Além da ótima direção, roteiro, trilha sonora, fotografia etc, etc, tem também o fator Argentina que não dá para deixar de fora. Se fosse feito no Brasil se chamaria "Esposito e a Esfinge".

O desenho foi feito pelo meu filho, dois anos e meio. High expectations.

:-)

Laura

sexta-feira, 12 de março de 2010

O país da violência


A violência no Brasil é tão banalizada que só mesmo “situações” como a morte do Glauco para nos entristecer, revoltar, por um dia, uma semana, no máximo. Que pena.

:-(

Laura

quinta-feira, 11 de março de 2010

Eu faço aniversário, vocês ganham o post


Esta foto foi tirada no meu primeiro aniversário em Belo Horizonte. Antes disso eu morava no Rio e depois foram algumas outras casas, cidades e países. Em todos os lugares fiz ótimos amigos e hoje me emocionei ao receber telefonemas, mensagens, emails de muitos deles. Queria escrever alguma coisa sobre amizade e agradecer a todos os envolvidos, mas a chance de cair no ridículo ou abusar de clichês é enorme, então deixo aqui para vocês um poeminha do Auden que mais ou menos define o momento:

“None of us are as Young

as we were. So what?

Friendship never ages.”

Beijos.

Laura

quarta-feira, 10 de março de 2010

Wonderland é aqui

Até 5 de abril na Coisas da Doris acontece a “mostra” Coisas da Alice, para ver e comprar. No dia 11 de abril, a Sociedade Lewis Carroll do Brasil (tem chapeleiro maluco pra tudo neste mundo) organiza um evento no Centro Cultural Brasileiro Britânico.


E para os aficionados, “A Wonderland of Alice” (da New York de 8 de março -- clique nas fotos).



:-)

Laura

sábado, 6 de março de 2010

Dois artigos





Dois artigos no Estado de hoje merecem ser comentados um pela estapafurdice do conteúdo e o outro pelo alerta de perigo iminente.

O artigo “A Academia e os novos tempos” (pg. A2), escrito pelo Marcos Vinicios Vilaça, presidente da ABL (AB who?), é um enorme balaio de clichés, ideias obvias paradas nos anos 90 e pensamentos desconexos. Só mesmo lendo o artigo para entender a extensão do exercício randômico, mas aqui, para seu deleite, alguns trechos imperdíveis:

“Há – e está bem aos nossos olhos – uma geração que parece ter nascido com controle remoto e mouse a mão. Basta um clique e a tela muda. Portanto é vital que nos afinemos com os moços".

No shit, Sherlock.

“Até ontem, por exemplo, toda plataforma para ler era modulada de forma passiva e indireta pela luz do sol ou pela lâmpada. Hoje, o fundo emite luz e nos teclamos sobre seu fluxo, e o fundo sobre o qual aparecem letras e imagens é fonte de luz ativa”.

To infinity and beyond.

E o meu preferido:

“Especialistas temem que o homem esteja a inaugurar um cultura autodestrutiva – uma cultura da incultura. É possível que haja nisso alguma razão. É também possível que haja nisso algum exagero. Mas uma coisas e certa: nada anula a atração de elucidar o alcance de novos usos”.

CBGB is back. Hide your daughter.

O outro artigo é o da Dora Kramer (pg. A8), sobre a possibilidade do Lula se licenciar do cargo para se dedicar à candidatura da Dilma. Para mim, o grande problema não seria a licença em si, mas sim a possibilidade do Sarney assumir a presidência (legalmente ele é o terceiro na linha de sucessão. Na prática, provavelmente o primeiro). O bigodudo diz que não, mas aposto o meu mindinho direito que ele não resiste a mais um shot de poder, mesmo que de curta duração. Talvez um país sem governante, à deriva por dois meses, seja a melhor solução. Afinal, nada muito diferente do que temos agora.

Laura

sexta-feira, 5 de março de 2010

Self-fulfilling Prophecy

*Calvin and Hobbes Tenth Anniversary Book*

Inferno astral é uma grande e obrigatória self-fulfilling prophecy, não tem como escapar. O problema é que às vezes (todas) o seu aniversário chega e ele não passa. Adoraria simplesmente apertar um botão desfazedor de issues à meia-noite e um, virar para o lado e acordar issue-free na manhã seguinte. Mas não sou o Paulo Coelho e normalmente quando o universo conspira, conspira contra mim. De qualquer forma, desde já estou tomando medidas preemptivas à la gato escaldado para amenizar o não-final do meu inferno astral. Bear with me for the next few days.

:-)

Laura

quinta-feira, 4 de março de 2010

Jesus, ayudame


Enquanto isso, na aula de espanhol...

Professor: -Dígame el plural del artículo indeterminado "un".

Coleguinha: -“Dos”.

(I kid you not.)

Laura

Irony is king



Onde há ironia, há esperança.

:-)

Laura

terça-feira, 2 de março de 2010

formspring.me/clispector


Lendo uma coletânea de entrevistas feitas pela Clarice Lispector (“Entrevistas”, Editora Rocco), cheguei a conclusão que, pela pessoalidade, simpatia e conteúdo randômico mas certeiro das perguntas, Lispector sem querer inventou uma versão embrionária do Formspring (sem, é claro, cair naquela chatice pegajosa e autoenaltecedora de tipos como o Jô Soares).

Entre parênteses, ter um Formspring está no hall das coisas que me despertam sensações gostosas e maduras de rejeição e insegurança, tal como falar em público. Prefiro waterboarding.

Alguns trechos que gostei das entrevistas com Nelson Rodrigues, Hélio Pellegrino, Vinícius de Moraes e Maria Bonomi:

Nelson Rodrigues

CL: Nelson, qual é a coisa mais importante para uma pessoa como indivíduo?

NR: É a solidão.

CL: O que é o amor, Nelson?

NR: Eu sou um romântico num sentido quase caricatural. Acho que todo amor é eterno e, se acaba, não era amor. Para mim, o amor continua além da vida e além da morte. Digo isso e sinto que se insinua nas minhas palavras um ridículo irresistível, mas vivo a confessar que o ridículo é uma das minhas dimensões mais válidas.

Hélio Pellegrino

CL: Você quereria ter outras vidas? Era o meu sonho ter várias. Numa eu seria só mãe, em outra vida eu só escreveria, eu outra eu só amava.

HP: Sou um home de muitos amores –isto é, de muitos interesses – e para tão longos amores, tão curta é a vida. Não há ninguém que consiga, no tempo de uma vida, esgotar todas as suas possibilidades. Se me fossem dadas outras e outras vidas, gostaria de ser: a) filósofo profissional; b) romancista; c) marido de Clarice Lispector, a quem me dedicaria com veludosa e insone dedicação; d) chofer de caminhão; e) morador de Resende, apaixonado por uma moça triste, debruçada à janela de uma casa, saída de um quadro de Volpi; f) seresteiro, poeta, cantor, com a música de Chico Buarque.

Vinícius de Moraes

CL: Você quer falar sobre a sua música? Estou escutando.

VM: [...] Meu pai também tocava violão, cresci ouvindo musica. Depois a poesia fez o resto.

Fizemos uma pausa. Ele continuou:

VM: Tenho tanta ternura pela sua mão queimada...

(Emocionei-me e entendi que este homem envolve uma mulher de carinho.) Vinícius disse, tomando um gole de uísque:

VM: E curioso, a alegria não é um sentimento nem uma atmosfera de vida nada criadora. Eu só sei criar na dor e na tristeza, mesmo que as coisas que resultem sejam alegres. [...]

(A melhor cantada de todos os tempos.) ;-)

Maria Bonomi

CL: Maria, o que a levou à gravura?

MB: O que te levou à literatura, ou melhor, ou que te levou à escrever? Minha resposta é igual à que você daria. É aquela mania de ficar procurando como se dizer melhor o que se precisa dizer.

O desenho foi feito pela querida Louise Forbes.

Laura